Caiavas a casa de branco e tinhas tanto orgulho nela,
Dizias-me na tua voz meiga :" cuidado que a cal queima".
Eu lentamente afastava-me , tinha tanta vontade de te ajudar,
como forma de te dizer que gostava de ti.
Recordo as tuas golas altas para ocultar o bócio extremamente saliente, que nunca te ajudaram a remover.
Eras tão linda avó , mesmo quando mentias dizendo que a garrafa só continha água,
quando eu sabia que deixavas a tua alma afogar-se no vinho.
Falavas no aparelho do Dr. Bernardino, que mostrava todas as doenças.
Pensavas ser a salvação de muita gente. Um dia irias visitar aquele famoso aparelho, talvez te desse forças para viveres os dias de trabalho duro no campo ,na apanha das searas.
As tuas mãos ásperas apertavam as minhas, mas beijos não... porque o pó dos dias estava entranhado na tua pele.Eu amava-te de todas as formas ...
De mãos ásperas ...
De cara entranhada de pó...
Eu amava-te e sempre te amarei.
O aparelho do Dr. Bernardino de nada serviu. Maldita maquina...
Eu queria-te viva , queria-te a meu lado todos os dias da minha vida.
A pneumonia levou-te...os maus tratos ajudaram...
Fizeram de ti pó, pior que a cal que usavas para caiar a casa.
Eu recordar-te-ei sempre com amor....
Não esquecerei o amor que me deste , o leito onde nasci , a casa que caiavas com tanto brio.
No fim avó linda , todos nos reduzimos a pó.... cinzas de corpos gastos e desfeitos ...
Todo o sofrimento foi em vão...mas a memória estará sempre presente no meu coração...
Amei-te demais , mas amar assim será eterno.
Haverá sempre uma casa caiada de branco no teu coração...foge para lá quando sentires mais saudade...
ResponderEliminarbeijinho grande
cláudia